A busca por uma profissão
e pelo aumento da renda familiar leva jovens carentes das comunidades
da Ilha do Governador a procurarem o Centro de Apoio ao Menor Patrulheiro
(CAMEP). Os cursos oferecidos são gratuitos e dão apoio e formação
adequados para o ingresso no mercado de trabalho. Na Paróquia de São
José Operário, onde acontecem os encontros, meninos e meninas entre
14 e 16 anos têm aulas de informática, português, matemática, noções
de rotina administrativa, telemarketing, cidadania, higiene e dinâmicas
de grupo. A única exigência do CAMEP é que os interessados estejam
matriculados no ensino médio. A instituição trabalha em parceria com
empresas em toda a cidade, mas a grande maioria tem sede no Centro.
O jovem selecionado recebe um salário mínimo (R$ 350,00) e a firma
contratante repassa o equivalente a 25% desse valor (R$87,50) para
o projeto. Os alunos só lamentam dificuldade de parceria com as empresas
da Ilha.
A única empresa no bairro conveniada ao CAMEP é a Sotreq, empresa revendedora
de máquinas, rolos compressores e retroescavadeiras. A firma já emprega
4 jovens recém-saídos do Centro de Apoio.
- Nosso objetivo maior é que os empresários da Ilha dêem oportunidades
aos jovens insulanos. Não desejamos ver os adolescentes envolvidos
em situação de risco. Na parceira com o CAMEP, os empresários têm a
chance de lidar com um grupo idôneo, e os jovens, de aprender uma profissão
e ingressar no primeiro emprego - explica a assistente social Marcela
Cardoso, que também dá aulas para os jovens, além de intermediar o
contato com as empresas interessadas.
Supervisor dos estagiários da Sotreq, Jorge Henrique Carpes elogia
a iniciativa:
- Os jovens fazem um ótimo trabalho e a preparação que eles recebem
do CAMEP é muito boa. Quando o estagiário completa 18 anos, sempre
tentamos contratá-lo para alguma área específica
da empresa.
Para fechar a parceria, não é necessário que a empresa seja de grande
porte. Consultórios, escritórios e clínicas também podem participar.
A única restrição é que o contratante não ofereça trabalhos com riscos
para a integridade física dos jovens.
- Como chamariz para as empresas, o CAMEP oferece, além dos estagiários
treinados e qualificados para enfrentar o primeiro emprego, assessoria
jurídica e acompanhamento durante o estágio. Aproximadamente dez empresas
participam do programa, como a Sotreq, FSA Consultores e Clínica Cirúrgica
Santa Bárbara - enuma Marcela.
Segundo o coordenador do grupo, André Bousquet, os adolescentes chegam
descrentem ao CAMEP:
- A maioria traz uma história de derrotas. O pai e o avô não conseguiram
uma profissão. Tentamos mostrar, por meio de acompanhamento psicológico,
que com eles pode ser diferente. Trabalhamos a autoconfiança. É difícil
formar turmas porque exigimos que os jovens estejam cursando o ensino
médio. Nosso último grupo teve apenas 22 alunos.
A divulgação do CAMEP é feita por meio de faixas em escolas públicas
da região e nas comunidades carentes. Mesmo depois de ingressar no
mercado de trabalho, permanece a obrigatoriedade de continuar os estudos.
Aluno da 1ª série do ensino médio, Vinícius Gomes, de 16 anos, formou-se
com a última turma, em julho, e sonha em ser técnico de informática:
- Era muito tímido e aqui descobri que a vergonha pode ser superada.
Já me sinto preparado para ingressar no mercado de trabalho.
Thiago Sena, de 19, já está contratado como auxiliar administrativo
da SOTREQ. Ele passou por um período de estágio e fala com orgulho
de sua trajetória:
- Ajudo minha mãe com o salário. É gratificante ver que conquistei
um lugar num mercado tão disputado. |